terça-feira, 16 de março de 2010

Galinhada da vida

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Panela de galinhada com uma colher dentro


Uns dias atrás resolvi fazer um jantar. Não era nada requintado, mas as refeições brasileiras implicam em ter que fazer arroz, um tabu na minha vida, já que o meu costuma ficar horrível. Mesmo sabendo desse pequeno problema, resolvi ser ainda mais ousada e fazer uma galinhada.

Na minha cabeça seria muito simples fazer aquela delícia que minha avó sempre faz para mim: "ponho a cebola na panela, depois o frango e deixo fritar. Quando isso estiver pronto coloco o arroz, a cenoura, o milho e a água, e deixo cozinhar".

Fiz tudo de acordo com a minha receita mental e esperei ansiosamente o resultado. Qual não foi a minha surpresa quando abri a panela e vi aquela gororoba. Meu primeiro impulso foi xingar e depois senti uma imensa vontade de chorar. Afinal, que espécie de anta eu sou que não sabe fazer arroz e muito menos galinhada? Me senti uma imbecil. Como é que pode uma pessoa que estudou a vida inteira, fala inglês e adora internet, não conseguir fazer um mero arroz com galinha?

Meu noivo me acalmou, se esforçando para fazer uma cara ótima enquanto enfrentava o rango maligno. Super fofo, ele me lembrou que as pessoas nem sempre acertam na primeira vez e que toda tarefa nova é um desafio. Ainda me elogiou pela boa vontade de tentar, sozinha, realizar algo novo.

Quando contei para a minha avó a saga da galinhada, ela riu e disse "pelo menos você tentou e sei que você vai continuar tentando até acertar. Mas vou te ensinar uma coisa pra facilitar. Para a galinhada ficar perfeita, coradinha, o segredo é queimar a cebola antes de colocar o frango na panela".

Fiquei pensando em quantas vezes minha avó errou na galinhada até descobrir esse segredo tão simples. Foi ficando persistentemente no calor do fogão a lenha que ela descobriu esse segredo espetacular, ela não nasceu sabendo! Me perguntei quantas vezes precisamos errar para achar a "receita" para as nossas vidas. Quantas cebolas temos que fritar até acharmos um jeito dela ficar "coradinha"? E assim, mesmo que por um minuto, me senti melhor. Fiquei até feliz e orgulhosa por estar tentando acertar não apenas na galinhada, mas nesse saga deliciosa que é a minha vida.

Bjoko,
Isabella Peixoto.

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