quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Caminhos e escolhas

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Engraçada a vida... O tempo passa e a gente se pega analisando aquelas frases clássicas de nossos pais e avós com menos julgamento e mais vivência.

Alguns anos atrás eu achava um absurdo quando minha avó dizia "Amizade demais, acaba em inimizade". Acreditava que algumas amizades eram eternas e que seriam imutáveis em sua maneira quase invasiva de ser. Hoje, boa parte das pessoas que eram "de casa", que estavam comigo praticamente todos os dias foram embora... Por erros, defeitos e escolhas, meus ou delas, o afastamento, e até a inimizade, aconteceu. Agora entendo que isso acontece porque quando a gente convive demais com alguém começa a reparar demais nas entrelinhas da pessoa e, pior, esperar demais dela. E vice versa. Infelizmente, isso fatalmente termina mal. Como dizer que minha avó estava errada?

Já meu pai costuma dizer que “Deus não joga dados”. Eu relutava em acreditar nisso porque não via sentido nas coisas ruins que aconteciam comigo ou com as pessoas que eu amo. Achava que coisas ruins eram fatalidades ou ação do mal que existe nesse mundo, pura reação ao nosso livre arbítrio. Atualmente, consigo ver claramente que mesmo o nosso livre arbítrio tem um toque de Deus. Que tudo que passamos é decorrente das escolhas que fazemos, mas que essas escolhas nos levam, por um caminho mais fácil ou mais difícil, a um resultado final semelhante, se não igual. Eu escolhi o caminho mais difícil várias vezes. Mas o que estava traçado para mim aconteceu ainda assim. Sem aleatoriedade. Sem dados.

Minha mãe me disse várias vezes “Seja independente”. Mas eu demorei pra entender que a independência de que ela falava não era só financeira. Ela falava de não depender tanto das pessoas emocionalmente, um grande defeito meu. Agora eu entendo por que. Percebi o quanto essa dependência amarra a minha felicidade ao humor e ao amor dos outros. É bom ser uma pessoa amada e respeitada, não me entendam mal, mas não é tudo. O amor próprio vem primeiro e se ele existe fica muito mais fácil amar e ser amado pelos outros.

O caminho, longo ou curto, fácil ou difícil, é meu.

A minha caminhada independe de alguém andar ao meu lado. Cabe às minhas pernas caminhar, estando eu acompanhada ou sozinha. Se agora algumas pessoas que amo pegaram rotas diferentes, cabe a elas lidar com o caminho que escolheram e a mim lidar com o meu e apoiar meus atuais companheiros de caminhada. Sem traumas, sem julgamentos.

Até porque “Amizade demais, acaba em inimizade”, então não pretendo forçar ninguém a caminhar todo o tempo ao meu lado. “Deus não joga dados” e se for desígnio Dele meu caminho se cruzará novamente com o dessas pessoas cedo ou tarde. E se é pra “Ser independente” eu não posso parar de andar ou mudar o caminho que escolhi pra mim por causa de outras pessoas. Não é verdade? Eles estavam certos... O tempo todo.

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